Cine-Glória mantem vivo o cinema.

Fachada do Cine

 

São João del-Rei mantém uma sala de exibição a 64 anos

Palco de diversas atrações, já foi ringue de patinação, pavilhão, teatro e desde 1947 é o Cine-Glória, um dos cinemas mais antigos em funcionamento do Brasil, localizado em São João del-Rei, interior de Minas Gerais. Construído com intuito de substituir o antigo cinema Capitólio, fundado em 1928 e encerrando suas atividades em 1940. O nome Cine-Glória  se origina do que era a data prevista para sua inauguração, 15 de agosto de 1947, dia de Nossa senhora da Glória, porém sua inauguração só ocorreu em 21 de agosto. A sala de exibição possuía 1200 lugares.

Segundo o historiador Antônio Gaio sobrinho, o cinema surgiu em São João del-Rei no início do século XX, tendo seus primeiros registros em 3 de dezembro de 1905, quando o Jornal “O Repórter”, noticiam informações sobre empresas cinematográficas, que faziam exibições itinerantes na cidade. Em 1909 já existiam duas casas de exibição fixa na  cidade, o Cinema Comércio e o Kinema Club, em 1911 inaugura-se o Cinema Avenida, atual agência do Banco Itaú, em 1928 surge o Cinema Capitólio, que em 1930 lança o cinema falado na cidade com o filme “Rapaz de sorte”. O teatro municipal também foi casa de exibições até meados da década de 1960.

São João del-Rei manteve o cinema vivo por décadas, com diversas salas de exibições espalhadas pela cidade. Em 1951 é criado o Cine teatro Arthur Azevedo, atualmente no local funciona o supermercado Sales do bairro do tejuco, esse cinema ainda abre uma filial em meados de 1960 no bairro matosinhos, era Cine Real, hoje uma loja de roupas. Essas duas casas encerram suas atividades em 1980, desde então o Cine-Glória é o único cinema da cidade, com duas salas de exibição, na Av. Tiradentes e outra no Shoping Hills.

Em janeiro de 1961 o Cine-Glória foi vendido para o proprietário da fabrica têxtil sanjoanense, João Lombardi, administrando ate 1979, quando a vendeu para  Wellerson Itaborahy, ou simplesmente como é conhecido, Lilinho.

Foto:Katia Lombardi

Lilinho, juiz-forano, nasceu em 1944, e aos 14 anos já trabalhava em uma distribuidora de filmes. Com 22 anos de idade, já possuía pequenos cinemas em bairros periféricos de Juiz de Fora, e aos poucos vendia um e comprava outro, assim foi adquirindo cinemas em cidades da região, até que em 1978 veio para São João del-Rei.

Breno Lombardi, filho do proprietário do Cine-Glória oferece a Lilinho o arrendamento do cinema de seu pai, João Lombardi, pois nessa época o Cine enfrentava uma grave crise. Lilinho consegue reerguer o Glória e em 1979 o adquiri definitivamente.

Na época o cinema nacional tinha incentivos do governo através da Embrafilme (Empresa Brasileira de Filmes S.A), porém por determinação de leis, os cinemas eram obrigados pela Concine (Conselho Nacional de Cinema), as salas de exibição tinham que exibir um terço do ano filmes nacionais, essa obrigatoriedade fez com que muitas salas de cinema fechassem as portas.

Lilinho conta que quando veio à cidade tinha contratos com distribuidoras e conseguia trazer muitos filmes, depois teve fases difíceis e deixava de comprar comida para comprar carvão para alimentar o projetor. Conseguiu sobreviver e manter o Cine graças à iniciativa de criar a vídeo-locadora “Cine Glória Vídeo” em 1987.

Os filmes “Titanic”, “O Rei Leão”, “A Paixão de Cristo”, triologias como “Crepúsculo”, “Senhor dos anéis”, “Harry Potter” entre outros, fizeram muito sucesso de bilheteria. Porem Lilinho diz que “O maior público que já entrou no meu cinema, foi num filme dos Trapalhões que se chamou “O Trapalhão no planalto dos macacos”. Você não vai nem acreditar, eu botei pra dentro 3.900 pessoas num domingo. Fiz cinco sessões neste dia. Na época cabiam 800 pessoas por sessão. Nas sessões que lotavam, tinha gente que não se importava de sentar no chão, só pra não ficar sem ver o filme.”

Foto:Katia Lombardi

Mesmo com a crescente popularização da internet e a possibilidade de baixar filmes, antes mesmo que cheguem às grandes telas, como aconteceu com o filme nacional  “Tropa de Elite”, Lilinho faz com que o Cine-Glória mantenha vivo a sétima arte na cidade.

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